Metade de todos os procedimentos médicos, das mais diversas especialidades, tem como primeira indicação esse feixe de luz concentrada. E as pesquisas mostram que seu uso pode se ampliar para muitos outros camposO mundo, do jeito como o conhecemos hoje, seria impossível sem o uso do laser. Esse feixe de luz concentrada é imprescindível na transmissão de dados pela internet e no sistema de telefonia. Quando ouvimos um CD ou assistimos a um DVD, lá está ele, transformando ondas eletromagnéticas em sons e imagens. Graças ao laser, as filas nos supermercados e bancos andam mais rapidamente - os códigos de barras são interpretados por ele.
É essa luz, ainda, que dá exatidão milimétrica à mira dos mísseis lançados pelos navios, aviões e tanques de guerra; mantém os trens alinhados sobre os trilhos; permite a medição dos poluentes atmosféricos... "Com suas múltiplas funções, o laser é, sem dúvida, a invenção mais impactante do mundo moderno", diz o físico Nilson Dias Vieira Junior, superintendente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen).
Há uma área do conhecimento humano, no entanto, em que a revolução provocada pelo laser, ainda que grandiosa, ocorre de maneira silenciosa, quase imperceptível para a maioria das pessoas. Na medicina, ele corta (com muita precisão e pouco sangue) músculos, pele e ossos. Monitora o crescimento de tumores e os faz evaporar. Substitui medicamentos no tratamento de doenças crônicas, como artrite reumatoide e asma. Estimula a renovação celular e pode ser capaz até de diagnosticar lesões na retina.
Dentro da medicina, ainda, há outra área em que o laser é um bálsamo. Na dermatologia, além de remover as manchas de pele e as linhas de expressão, a luz corta literalmente o mal pela raiz, ao danificar os bulbos capilares e impedir o nascimento e o crescimento de pelos indesejáveis. Na temporada de corpos à mostra, não ter de se preocupar com a depilação e exibir as pernas lisinhas o tempo todo é (quase) um milagre.

Nenhuma área da medicina foi tão beneficiada pelo aperfeiçoamento do laser quanto a dermatologia. Ele é a principal indicação para 95% das terapias antienvelhecimento - da remoção de manchas ao aumento da produção de colágeno, a fibra responsável pela firmeza e elasticidade da pele. Na década de 80, o laser era utilizado em apenas 40% dos casos, sobretudo nas peles profundamente marcadas pelo tempo. "Nessa fase, eu não me atreveria a usar o laser em pacientes com menos de 40 anos", diz Adilson Costa, dermatologista da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. "As marcas do tratamento - vermelhidão e queimaduras - eram tão profundas que obrigavam os pacientes a ficar em casa por até um mês." Atualmente, alguém que se submete a uma sessão de laser, não importa a finalidade do procedimento, pode sair do consultório do dermatologista diretamente para o trabalho.
Todas as intervenções estéticas à base de laser consistem em danificar parte das células da área tratada, de modo a estimular a renovação celular. É nesse processo que manchas, vincos, marcas de expressão e pés de galinha desaparecem - ou são, no mínimo, bastante atenuados. É possível rejuvenescer a pele em até cinco anos, mas para isso é necessária uma aplicação por mês, durante quatro meses. Além disso, em dois anos é preciso voltar ao consultório do dermatologista. Existe, porém, um tipo de marca que o laser apaga para sempre - as cicatrizes provocadas pela acne. Até então, não havia nada que desse jeito nelas. De cremes a peelings abrasivos, vencer essas marcas era um dos maiores desafios da dermatologia estética. A empresária Gloria Varella, de 47 anos, concordou em se submeter ao tratamento quando o médico lhe garantiu que, depois das aplicações, ela não precisaria interromper suas atividades diárias. "Tive uma ótima surpresa: além de ir trabalhar no mesmo dia, ninguém notou os efeitos das aplicações", diz. Após cinco sessões, Gloria estava com o rosto lisinho.
Não há mulher que não sonhe com o dia em que se verá livre da depilação - poucas obrigações estéticas são tão chatas quanto ter de se submeter à cera quente ou fria de quinze em quinze dias. Pois o laser consegue matar os bulbos capilares, o nascedouro dos pelos. Depois de cinco meses de tratamento, com uma sessão por mês, os pelos praticamente desaparecem. Como a natureza dá sempre um jeito de driblar o homem, entre dois e cinco anos mais tarde, os pelos reaparecem - mas mais fracos. Para eliminá-los, é preciso fazer mais aplicações de laser - agora em sessões de manutenção, de uma a duas vezes ao ano. "Não existe tratamento de beleza mais prático e fantástico criado pela medicina do que a depilação a laser", diz a apresentadora Sabrina Sato, de 28 anos. Há três anos, ela se submeteu a três sessões de laser nas axilas. Desde então, nunca mais recorreu a lâminas descartáveis. Um ano atrás, Sabrina voltou ao dermatologista para duas aplicações de manutenção. Às loiras, um alerta: o raio laser não consegue destruir os bulbos de pelos claros.
Por Adriana Dias Lopes
Revista Veja

